Como mudaram as sapatilhas nos últimos 30 anos?

Já todos ouvimos falar das gerações e das diferenças entre elas. Diz-se que a Geração X se refere aos que nasceram entre meados dos anos 60 até ao princípio dos anos 80, que os millennials (ou Geração Y) foram os primeiros a incorporar a internet no seu dia-a-dia e que os zoomers (ou Geração Z) já nasceram numa era tecnológica e desde bebés que dominam os recursos digitais. Hoje até já se fala da Geração Alpha, os filhos dos millennials.

É óbvio que a nossa sociedade foi mudando com o passar dos anos e das gerações… Mas, o que é que aconteceu à moda do calçado? Também mudou o nosso estilo e o nosso gosto na altura de escolher umas sapatilhas? Ou melhor dizendo, como é que as marcas adaptaram os seus designs e modelos aos gostos de cada geração?

Na JD Sports decidimos olhar para trás e analisar a evolução das sapatilhas. Uma comparação entre os designs de sneakers há 25, 30 ou 40 anos e como foram adaptados aos dias de hoje. Será bastante interessante ver o que mudou, desde a estética aos materiais, e até mesmo a tecnologia utilizada, tudo de acordo com a moda de cada geração.

Em alguns casos os modelos procuraram clarametne renovar uma silhueta clássica, enquanto outros serviram apenas de inspiração para criar umas novas sapatilhas. Achas que as sapatilhas mudaram muito nos últimos 30 anos? Desliza para o lado as imagens abaixo e vê se tens razão! ?

Nike Air Max 90 (1990) vs Nike Air Max 2090 (2020)

Em 2020 celebramos o 30º aniversário das Nike Air Max 90. E esse foi o momento perfeito para a Nike lançar as Air Max 2090, que chegaram como uma homenagem ao modelo clássico. Uma espécie de “e se as Air Max 90 tivessem sido criadas em 2020?”. A chave foi manter certos elementos do modelo original, mas acrescentando aquele toque futurista que tem tido uma forte presença nos designs mais recentes da marca americana.

Se olharmos com atenção para os detalhes, podemos ver que as 2090 contam com uma parte superior mais simples com menos camadas e ainda brincam com o efeito translúcido. A câmara de ar no calcanhar foi aumentada para melhorar o amortecimento e a nova pega no calcanhar ajuda a calçar as sapatilhas.

Assim, podemos dizer que as Air Max 90 da geração Millennial eram mais robustas, sólidas e detalhadas, enquanto que a versão da geração Alpha se destaca pela tecnologia, conforto e simplicidade.

adidas Stan Smith (1978) vs adidas Supercourt (2019)

Em 2019, a adidas Originals lançou a coleção Home of Classics com o objetivo de trazer os clássicos de volta. Dessa coleção fazem parte as adidas Supercourt, uma nova silhueta que se inspira em ícones da marca alemã, como as Stan Smith. Mais de 40 anos separam estes modelos, mas será que aquilo que consideramos como “design clássico” também mudou?

Neste caso, é possível que não se tenha alterado muito, mas nota-se que as Supercourt tentam ser um “clássico moderno”. Desde o minimalismo inconfundível das Stan Smith da Geração X dos anos 70, passamos para um design com mais camadas e elementos, tanto decorativos como de reforço. Nas Supercourt da Geração Alpha vemos também como a entressola foi aumentada, para ser mais volumosa e proteger a planta do pé.

E como não podia deixar de ser, não faltam os pontos nas laterais que formam as três riscas da marca, um elemento-chave tanto das Stan Smith como das Supercourt.

Air Jordan 1 (1985) vs Air Jordan 31 (2016)

Neste momento estamos no meio de um boom de reboots de séries e filmes, desde Sex & The City a clássicos como o filme Mulan. No entanto, esta tendência começou mais cedo no mundo dos sneakers. Em 2016, a Jordan lançou uma reinterpretação das icónicas Air Jordan 1, as suas sapatilhas mais populares.

Nota-se perfeitamente que mais de 30 anos separam as AJ1 das AJ31. Porque as tendências do calçado de basquetebol que surgiram durante o tempo dos millennials não são as mesmas que vemos durante a geração Alpha.

Durante os anos 80, quase todas as sapatilhas de basket optavam por partes superior em pele para que fossem resistentes. O cano alto era habitual e as tecnologias de amortecimento, como as câmaras de ar, começavam a ser introduzidas. Por outro lado, nas Jordan de 2016 vemos que o foco está na leveza e na aderência, como se pode perceber pela parte superior e o sistema de cordões Flyweave.

Reebok Classic Leather (1983) vs Reebok Classic Leather Legacy (2020)

37 anos depois, as icónicas Reebok Classic Leather também tiveram direito a uma nova versão. Juntamente com as Aztrek, serviram de inspiração para criar as novas Classic Leather Legacy.

As Reebok Classic apresentam duas versões principais: a Leather, com parte superior de couro e a Nylon, em que são utilizadas partes de tecido de nylon. Talvez por isso encontremos ambos os materiais nas Legacy. Desta forma são menos rígidas, mais leves e mais flexíveis.

Ainda que o aspeto seja semelhante, as Legacy são mais vistosas e agressivas, talvez devido à ênfase que foi dada à sola serrilhada que reconhecemos das Classic Leather dos anos 80. Outra diferença interessante entre os dois modelos: as Legacy apresentam uma estética de corrida mais moderna graças ao calcanhar elevado.

No entanto, se há algo que diferencia os modelos Reebok da geração Millennial da geração Alpha, é a entressola. Como vimos no exemplo das adidas Supercourt, as novas gerações parecem querer sapatilhas com uma plataforma mais alta e volumosa, que proporcione tanto mais altura como um melhor amortecimento.

Nike Air Max 95 (1995) vs Nike Air Max ZM950 (2020)

As diferenças entre os desenhos das Air Max 95 e das Air Max ZM950 batem certo com as mudanças que que comentamos anteriormente em relação às AM90 e às AM2090. Desta forma, confirmam-se algumas das tendências atuais na moda de calçado que contrastam com a moda dos anos 90.

Na nova versão das AM95, lançada para celebrar o seu 25º aniversário, o couro é deixado de lado, sendo substituído por materiais têxteis e sintéticos. Há uma simplificação da parte superior, que se nota nas linhas onduladas, e é adicionado o efeito translúcido que tem estado tão presente na Nike nos últimos anos.

A parte mais interessante está, outra vez, na sola e entressola. O arco central é repetido, sendo reforçado desta vez. Se nas Air Max 95 nascidas na geração Millennial podíamos encontrar várias câmaras de ar, tanto à frente como atrás, nas Air Max ZM950 da geração Alpha, são combinadas duas tecnologias diferentes. De um lado temos a tecnologia Zoom e do outro a tecnologia Air, desta vez com uma câmara de ar muito mais alta do que no modelo original.

As sapatilhas Nike já mudaram tanto desde o começo… Convidamos-te a ver a sua cronologia e descobrir todas as mudanças.

Puma Fast Rider (1980) vs Puma Future Rider (2019)

Quase 40 anos entre umas e outras – e isso é muito tempo! A PUMA queria renovar a sua silhueta Fast Rider, mas sem fazer demasiadas alterações de modo a que o desenho original não desaparecesse. Portanto, as Future Rider são obviamente diferentes, mas continuam a prestar uma grande homenagem ao primeiro modelo.

Nas sapatilhas de 2019 é possível ver uma parte superior com algumas sobreposições e detalhes extra que funcionam bem como elementos decorativos. Também são menos achatadas, em parte porque, ao contrário dos ténis de 1980, estas não foram feitas a pensar em corridas nem em competições de atletismo.

Uma coisa que tem sido respeitada são os “pitões” na sola exterior, que em ambos os modelos têm um acabamento de borracha e levantam ligeiramente na parte da frente e no calcanhar. Como aconteceu com as Supercourt da adidas e as Legacy da Reebok, uma das partes essenciais da renovação destas Puma é a entressola. É evidente que nas Future Rider é maior em comparação com as Fast Rider, uma vez que agora o foco não é o desempenho desportivo, mas sim o conforto diário.

Parece-nos cada vez mais óbvio que as entressolas e plataformas mais altas são um essencial nas sapatilhas da geração Alpha!

adidas ZX 500 (1984) vs adidas ZX 2K Boost (2020)

Terminamos esta comparação de modelos clássicos e as suas versões modernas com mais um exemplo da adidas Originals. As ZX 2K Boost não se baseiam concretamente nas ZX 500, mas procuram seguir a linha de pensamento da família ZX iniciada em 1984, utilizando como referencia vários modelos dos primeiros anos. O mais interessante é ver como evoluiu a própria coleção desde o princípio até à atualidade.

O design é bastante diferente e é óbvio que ambos os modelos se inspiram no calçado de corrida do seu tempo. Nas adidas ZX 2K Boost diz-se adeus à pele e à camurça, diminui-se o número de camadas e melhora-se o sistema de cordões.

A marca alemã aproveita a tecnologia de amortecimento Boost e adiciona-a ao novo modelo de 2020. O que não mudou nestes últimos 36 anos, pelo menos à primeira vista, são as pequenas saliências na sola e a sua distribuição. No entanto, este é um detalhe que só podemos ver quando as observamos na lateral. Outra parecença entre as ZX 500 e as ZX 2K Boost é o logótipo da adidas Originals, pois em ambos os modelos está localizado nas laterais, perto do calcanhar.

Semelhanças e diferenças à parte, as duas sapatilhas são uma boa representação das suas épocas, tanto do estilo que surgiu na geração Millennial como o que está a aparecer na geração Alpha. Podes continuar a ver mais modelos da história da adidas no seu próprio artigo.

As conclusões: Assim mudaram as tendências em sapatilhas

Depois de ver vários exemplos de marcas diferentes e em anos diferentes dentro da mesma gama, podemos já tirar algumas conclusões. Há alguns pontos comuns nas mudanças das sapatilhas ao longo dos últimos 20, 30 ou 40 anos. Estes são os pontos-chave na evolução das tendências:

  • ? De mais para menos decorações (e vice-versa): É interessante ver como alguns dos modelos que tinham muitos detalhes na sua primeira versão avançaram na direção da simplicidade (Jordan XXXI, Nike Air Max 2090). Mas há também o caso oposto, onde o aspeto mais básico evoluiu para desenhos com mais camadas e elementos decorativos (adidas Supercourt, Puma Future Rider).
  • ? Reduziu-se a utilização de couro em sapatilhas: O movimento da moda sustentável está a generalizar-se cada vez mais entre todas as marcas de calçado desportivo. Entre outros fatores, isto pode ser notado, por exemplo, na redução da utilização do couro. As Nike Air Max ZM950 e as adidas ZX 2K Boost, por exemplo, optaram por materiais sintéticos e têxteis.
  • ? A tecnologia está a tornar-se cada vez mais avançada: é óbvio que a tecnologia dos dias de hoje não é a mesma que era na década de 1980. Assim o demonstram as marcas, que cada vez mais apostam na tecnologia das suas sapatilhas. Isto inclui as câmaras de ar da Nike, que estão maiores, e o amortecimento Boost da adidas.
  • ? As plataformas e o aumento da entressola: Nesta lista não vimos nenhum caso de sapatilhas que tenham reduzido a sua entressola, mas sim o oposto. Praticamente todos optaram por aumentá-la, sabendo muito bem que a tendência dos sneakers de plataforma ainda está em pleno crescimento. Esta espessura dá mais destaque ao design, acrescenta altura e melhora o conforto ao caminhar. É especialmente visível nas Reebok Classic Leather Legacy, nas Adidas Supercourt e nas Puma Future Rider.

Tudo parece indicar que nos próximos anos continuaremos a ver mais versões novas de sapatilhas clássicas das grandes marcas. Será interessante ver se continuarão estas tendências ou se surgirão novas. De acordo com as nossas previsões, o calçado sustentável ganhará cada vez mais terreno, afastando-se não só do couro, como também optando por uma produção mais ecológica e por materiais reciclados.


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